Depois de mudar o meu processo de programação de músicas por conta de meus estudos de harmonia eu fiz um teste na escala de C#m que me rendeu mais uma surpresa. Em vez de alternar acorde (x2) acorde (x2) eu tentei fazer acorde (x3) acorde (x). Isso trouxe um outro espírito para os meus testes e de repente eu estava com uma canção inesquecível, pronta em poucos minutos. Fiquei muito contente com a eficácia deste processo. Criei uma linha melódica com variações quase randômicas que se encaixam e criam uma deliciosa progressão que segue firme pela canção toda. Depois dela pronta, fiz alguns testes e percebi que se tratava de uma canção de adição, que deveria mostrar para as pessoas que cada faixa de áudio fazia uma coisa. Essa será uma boa forma de começar um EP: provando que a sobeposição de vozes é crucial mas não essencial. Neste processo de adição acabei por mudar um pouco a base da percussão e criei algo meio old school que ficou bem interessante, do qual eu me orgulho bastante.
Nunca a honestidade foi tão produtiva. De tanto estudar The Fool on the Hill eu acabei por me apropriar de um dos acordes da canção (Bm7) e o alternei com outro (Em7). Como isso funcionou muito bem eu decidi percorrer alguns caminhos simples do pop e desdobrar essa variação em algo legal. A melodia ficou inteira concentrada na voz, que canta a letra mais honesta que eu fiz até hoje:
"When I was a child
I used to be so happy"
Com isso eu acabei por trabalhar com o conceito de variação mínima e fiz tudo como uma alternância repetida que parece pobre mas revela em si um grande brilho. Durante um tempo essa era a minha canção favorita e, de tanto treinar, eu acabei adicionando uma outra variável que é quando o acorde raiz volta para desaguar em um F#m, que vai para um D, que é quando eu revelo para as pessoas a escala da canção. Ela é simples e intrincada ao mesmo tempo. Na introdução há também um acorde de G, que volta no refrão. Fiquei muito feliz com o resultado e senti que dessa vez eu havia encontrado a minha voz, finalmente.
